Pareia

Criação da artista Fabíola Resende estreia em junho e julho, percorrendo escolas e espaços culturais do DF
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Foto: Davi Mello / Pareia.

Começa, neste mês de junho, a circulação de estreia de ‘Samarina’, espetáculo de ventriloquia encenado pela atriz Fabíola Resende. A dramaturgia, fruto de uma pesquisa sobre a ventriloquia no teatro popular de bonecos, traz a história de uma mezinheira vendedora de remédios naturais, histórias e alegrias. As primeiras apresentações acontecem nos dias 24 e 25/06, no Centro de Cultura e Desenvolvimento do Paranoá, atendendo idosas do projeto Voz da Experiência e estudantes do CEF 02. No dia 26, a estreia passa pela Casa de Cultura Martinha do Coco, também no Paranoá.

A ventriloquia é uma antiga técnica teatral de animação de bonecos, realizada por meio de truques fonéticos. Etimologicamente, ventriloquia significa ‘a voz que vem do ventre’. Em cena, uma atriz ou ator bonequeiro conta histórias, dialogando com o brinquedo. Quando é o boneco quem fala, a brincante evita o movimento dos próprios lábios, despistando a atenção do público. No Nordeste do Brasil, essa tradição caminha lado a lado com o Mamulengo, patrimônio cultural imaterial brasileiro, também chamado de Teatro de Bonecos Popular do Nordeste.

Em ‘Samarina’, Fabíola Resende rememora a tradição das mulheres bonequeiras, contadoras de histórias e caminhantes, com referência em esquetes tradicionais de palhaçaria e ventriloquia. A montagem também se inspira nos saberes de erveiras e curandeiras dos interiores do Brasil. Em cena, a boneca Samarina vende ervas, banhos, garrafadas e perfumes que prometem alegria de viver. Por sentir uma dor de saudade, ela quer curar as dores dos outros por onde passa.

Fabíola Resende é mineira, radicada no Distrito Federal desde 2002. É professora da Secretaria de Educação do DF e cocriadora da Coletiva Casa Moringa. Desde 2007, atua como bonequeira no espetáculo Vereda dos Mamulengos e é uma das principais representantes da nova geração de mulheres brincantes de Brasília. Essa sua primeira experiência como ventríloqua nasce em paralelo à dissertação de mestrado ‘Encantamento e re-existência: a brincadeira de Mamulengo e o ensino de teatro’, defendida em março na UnB.


A mulher no teatro e na cultura

O texto original de ‘Samarina’ foi escrito por Fabíola Resende, Luciana Meireles e Odília Nunes. Segundo Fabíola, a criação da dramaturgia foi um dos maiores desafios da pesquisa, pois as artistas tinham poucas referências de espetáculos de ventriloquia, especialmente com protagonismo feminino. “Pesquisamos esquetes tradicionais da palhaçaria e cogitamos criar um espetáculo para o público adulto. Ao longo desse processo, porém, encontramos outros caminhos e chegamos à Samarina que conhecemos hoje”, afirma a atriz.

A equipe técnica e artística do projeto é majoritariamente formada por mulheres. Durante o processo de criação, Fabíola pesquisou sobre a desigualdade de gênero no teatro de bonecos, transbordando uma dramaturgia ao mesmo tempo crítica e sensível: “De certa forma, Samarina surgiu também para me curar. E é com essa mesma força que nós duas esperamos levar alegria, afeto e vontade de viver a todas as pessoas que assistirem ao espetáculo.”

As mestras bonequeiras Neide Amorim, Neide Lopes e Tetê Alcândida são a inspiração do processo de criação, junto à mestra erveira Dona Josefa. A direção é assinada por Luciana Meireles, com provocação cênica da artista pernambucana Odília Nunes, preparação técnica de ventriloquia com Nana (Bruna Bernardes) e trilha sonora original de Maísa Arantes. A boneca foi confeccionada por Neide Lopes e o figurino por Tetê Alcândida. A direção de arte é de Lua Cavalcante e a identidade visual de Nara Oliveira.

‘Samarina’ é um projeto realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).


Sinopse
Samarina é um espetáculo teatral protagonizado por uma boneca ventríloqua que oferece curas com suas ervas, garrafadas e chás. Da voz que vem do ventre nascem histórias de amor, saudade e transformação. Samarina sabe de tudo um pouco e um pouco de quase tudo. Ao longo da brincadeira, ela traz o remédio e o veneno, provocando a plateia a ver além das dores.


PROGRAMAÇÃO DE ESTREIA
24/06 – 14h: CEDEP – Paranoá, com idosas do projeto Voz da Experiência.
25/06 – 19h: CEDEP – Paranoá, com estudantes do CEF 02 do Paranoá.
26/06 – 19h30: Casa de Cultura Martinha do Coco, com convidados.
29/07 – 19h30: Escola Zilda Arns do Itapoã, com a comunidade escolar.
31/07 – 19h30: Espaço Cultural Renato Russo – Estreia aberta com Libras e AD


SERVIÇO
Samarina | Circulação de Estreia

Entrada: franca
Classificação: 12 anos
Acompanhe das redes: @casamoringaoficial
Site: casamoringa.com.br


FICHA TÉCNICA
Coordenação geral, atriz e oficineira: Fabíola Resende
Produção administrativa: Alessandra Rosa
Coordenação de produção: Tomada Produções
Direção de cena: Luciana Meireles
Direção musical e preparação vocal: Maísa Arantes
Consultoria (provocação cênica): Odília Nunes
Mestra de tradição oral: Neide Amorim
Preparação técnica de ventriloquia: Bruna Bernardes:
Figurinista: Tetê Alcândida
Direção de arte: Lua Cavalcante
Confecção Boneca Samarina: Neide Lopes
Identidade visual: Nara Oliveira
Registro audiovisual: Estúdio Gunga
Assessoria de imprensa: Davi Mello e Keyane Dias (Pareia)
Fotografia: Davi Mello (Pareia)
Audiodescrição: Lúcia Corrêa
Consultoria em audiodescrição: Fernando Hiacovvich
Cenário: Virgílio Mota (Tempo EcoArte) e Ítalo Tadeu (Caco)

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