Projeto Chão de Cores traz ao público um acervo visual sensível sobre a comunidade do Beco da Cultura de Taguatinga, apontando reflexões sobre território, memória e direito à cidade
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No próximo sábado (21), a Ocupação Cultural Mercado Sul Vive celebra seu aniversário de 11 anos em uma grande festa aberta ao público. Por meio do projeto Chão de Cores, a comunidade do território lançará uma exposição e um fotolivro inédito que documentam fotografias do histórico Beco da Cultura, como também é conhecido o Mercado Sul de Taguatinga. A celebração começa às 10h e se estende até às 23h, na QSB 12/13, com entrada franca.
Além do lançamento do fotolivro e da exposição, o Aniversário de 11 anos da Ocupação Mercado Sul Vive – Edição Chão de Cores trará uma extensa programação cultural. O dia começa com oficina de samba mirim para crianças na Casa Kaluanã. Depois, as atrações seguem para o Espaço Okupa, com roda de conversa sobre memória de territórios culturais periféricos e apresentações musicais com Aya Puntare, Bloco da Onça Preta, Sambadeiras de Roda, Maracatu do Boiadeiro Boi Brilhante, MC Garnet, Ramona Jucá e Dj Fraktal.
Pesquisa e produção artística
O projeto Chão de Cores resulta de um processo continuado de mapeamento do acervo visual do Mercado Sul, culminando na criação de obras artísticas e documentações que articulam fotografia, pesquisa, escuta e convivência como estratégia de preservação da memória. Construído por agentes culturais do lugar, o projeto reúne imagens históricas e uma pesquisa que busca contribuir para o reconhecimento do Mercado Sul como Patrimônio Cultural Imaterial de Taguatinga e do Distrito Federal.
O título Chão de Cores faz referência à diversidade cultural deste território único, considerado um dos mais importantes espaços de produção artística, cultura popular periférica e memória coletiva do DF. A pesquisa para a produção do fotolivro e da exposição incluiu rodas de conversa, mediações e visitas guiadas, catalogação de cerca de 200 imagens históricas, ensaio fotográfico com moradores e agentes culturais locais e uma intervenção artística nos muros do beco, através de pinturas, grafites e lambes.
Tanto o fotolivro quanto a exposição propõem uma experiência sensível que aproxima o público das camadas íntimas e simbólicas do Beco da Cultura. Segundo o idealizador, fotógrafo e jornalista Webert da Cruz, esta é uma oportunidade de fortalecer a memória, o pertencimento e a permanência desse território cultural periférico que vem transformando a cidade há muito tempo.
“O Mercado Sul está em constante revitalização e precisamos sempre fortalecê-lo. Com essa pesquisa, conseguimos ampliar o olhar sobre as complexidades desse lugar que encanta, mas que também enfrenta desafios diversos de infraestrutura, manutenção das atividades culturais e de cuidado com as pessoas”, destaca Webert, que em 2018 já havia produzido uma grande reportagem sobre o local em sua graduação em jornalismo, intitulada ‘Retomar para Reinventar’.
Todas as ações do projeto Chão de Cores são realizadas com recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG-DF), por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (SECEC-DF) e Governo do Distrito Federal.
Fotolivro, exposição e salvaguarda cultural
O fotolivro ‘Mercado Sul: Um Chão de Cores – Memórias do Beco da Cultura de Taguatinga (DF)’ reúne fotografias, textos e registros que narram a trajetória cultural, as transformações e a atuação de diferentes gerações de artistas e moradores do território. A obra também homenageia o fotojornalista Ivaldo Cavalcante, que durante a década de 1970 realizou os primeiros registros fotográficos da cultura viva do local.
A publicação, organizada pela percussionista e antropóloga Ana Noronha e por Webert da Cruz, traz um recorte narrativo onde passado, presente e futuro se atravessam a fim de circular a memória para futuras gerações. Ana Noronha, que pesquisou na sua graduação (UnB) a relação entre Estado e Sociedade Civil em processos de patrimonialização, destaca o forte poder de criação de conhecimento e de vínculos do Mercado Sul. “Este livro celebra as pessoas que estiveram aqui, valoriza quem permaneceu e segue movimentando atualmente e incentiva todos a construírem um futuro”, comenta a antropóloga.
Com curadoria de Webert da Cruz e Rick Paz, a exposição ‘Chão de Cores – Mercado Sul: memória, cultura e movimento’ apresenta narrativas fotográficas de 13 artistas participantes do movimento cultural do Mercado Sul: Angel Luis, Davi Mello, Diana Sofia, Ester Cruz, Ivaldo Cavalcante, Matheus Alves, Nara Oliveira, Raissa de Oliveira, Ramona Jucá, Rick Paz, Thiago S. Araújo, Webert da Cruz e Yuri Barbosa.
A mostra dialoga com a trajetória de resistência do território, apresentando múltiplos olhares sobre sua gente, práticas culturais e processos comunitários. Os registros percorrem diversas linguagens e identidades culturais, refletindo a pluralidade de caminhos possíveis no teatro popular, artes visuais, cultura ballroom, capoeira, samba, entre outras expressões.
Décadas de luta pelo direito à cidade e à cultura
O Mercado Sul foi construído e inaugurado em Taguatinga no final da década de 1950, antes mesmo de Brasília, como um dos primeiros centros comerciais do DF. Desde a década de 1970, entre especulações imobiliárias e abandono governamental, passou a ser revitalizado continuamente por moradores e movimento cultural. Em 2015, sua comunidade criou a Ocupação Cultural Mercado Sul Vive, dando mais um passo na luta pelo direito à cidade. A articulação transformou lojas abandonadas em novos espaços vivos de arte, cultura e resistência, reivindicando também o reconhecimento do Mercado Sul como Patrimônio Cultural Imaterial do DF.
“Contar a história do Mercado Sul é também disputar narrativas sobre a cidade, a cultura e o direito de permanecer”, resume o texto de apresentação do fotolivro Chão de Cores.
PROGRAMAÇÃO CULTURAL
10h às 12h: Oficina de Samba Mirim com as crianças na Casa Kaluanã
14h às 18h: Feira de Troca de Fotografias com o Coletivo Nós por Nós
15h: Lançamento do ‘Fotolivro Mercado Sul: Um Chão de Cores, memórias do Beco da Cultura de Taguatinga (DF)’
15h: Abertura da Exposição Chão de Cores – Mercado Sul: memória, cultura e movimento
15h: Roda de Conversa ‘Mercado Sul: o direito de existir e permanecer como Beco da Cultura’
17h: Aya Puntare – La cumbiera
18h às 20h: Bloco da Onça Preta – Lavagem + Sambadeira de Roda + Maracatu do Boiadeiro Boi Brilhante
20h: Mc Garnet
21h: Ramona Jucá – Show Borboletas e Marimbondos
22h: Dj Fraktal
SERVIÇO
Aniversário Ocupação Mercado Sul Vive 11 Anos – Edição Chão de Cores
Data: 21 de fevereiro (sábado)
Horário: 10h às 23h
Onde: Ocupação Cultural Mercado Sul Vive – QSB 12/13, Taguatinga Sul
Entrada: franca
Classificação: Livre
Nas redes: @mercadosulvive
FICHA TÉCNICA
Coordenação Geral: Webert da Cruz
Organização: Ana Luiza Noronha e Webert da Cruz
Pesquisa (livro): Ana Luiza Noronha e Webert da Cruz
Revisão de Textos: Ellen Daiane Cintra
Coordenação Editorial (Livro): Webert da Cruz
Curadoria: Webert da Cruz e Rick Paz
Curadoria de fotografias: Ana Luiza Noronha, Crystal Iconic, Nara Oliveira e Webert da Cruz
Produção Executiva: Werick Mendes
Assistência de produção: Higor Castro
Produção da exposição: Webert da Cruz
Expografia: Crystal Iconic e Webert da Cruz
Design Gráfico e projeto editorial: Nara Oliveira
Plotagem: Lucas Sant’ana
Montagem: Daniel Fernandes
Social media: Gu da Cei
Assessoria de imprensa: Davi Mello e Keyane Dias (Pareia)
Cobertura audiovisual: Ramona Jucá
Fotografia (exposição): Ester Cruz
Mediação: Marcus Vinicius, Thayná Gayoso e Ramona Jucá
Coordenação de acessibilidade e Libras: Bárbara Barbosa